
Os videogames e a liberdade de escolha
Você é livre nas suas escolhas?
Por Fernando Salvio em 18/03/2008
Nesses muitos anos de games, seja acompanhando cada passo da indústria, cada novo lançamento ou mesmo chamando os amigos para uma jogatina, sempre notei uma coisa nos gamers, pelo menos na maioria, eles escolhem o que querem jogar.
Acredito que está na natureza dos que gostam de videogame, fazer escolhas, seja durante um jogo, onde você interage com a história, em muitas vezes podendo decidir o rumo desta ou na vida real, onde você pode simplesmente escolher outro jogo, outro videogame ou mesmo não jogar nada e ir ler um livro.
Diferente da TV, onde somos obrigados a esperar as vezes 5 minutos de comerciais, aguentar apresentadores chatos e coisas do gênero, os videogames nos permitem trabalhar nossa liberdade de escolha o tempo todo. Você pode tomar o rumo que quiser em alguns tipos de jogos, pode optar pelo lado bom ou ruim, as vezes até decidir se deseja casar, ter filhos dentro do contexto do jogo.
Acho que tudo isso, me fez uma pessoa questionadora, não um chato, mas sim alguém que toma o rumo que quiser e não segue a maioria como uma boiada que apenas vai correndo para o abate ou para o esmagamento proporcionado pelas grades de proteção e as portas do metrô na estação Sé às 6 da tarde.
Confesso que durante muito tempo usei esse meio de transporte e mais uma vez eu acabei pensando e verificando a melhor forma de me posicionar entre o empurra-empurra dos menos educados e escolher o caminho menos pior, mais rápido e indolor. Esse raciocínio pode ser fruto dos anos de jogatinas, onde as vezes você deve tomar decisões como esta. Jogos como Dynasty Warriors onde você encarna um líder em meio a uma grande batalha, com muitos personagens na tela, as decisões são parecidas, você deve sempre rumar para o local certo ou poderá colocar em risco todo seu batalhão.
Qual será a influência disso no todo a longo prazo?
Pessoas mais lúcidas e menos manipuláveis.
A internet é outro meio que junto com os videogames e outras tecnologias proporcionam conhecimento e liberdade de escolha no que aprender, nas pessoas com quem se relaciona e até mesmo na hora de se divertir. Não é a toa que já superou em muitos países a TV em audiência.
Essa liberdade que o jogador tem e manifesta também se reflete na qualidade dos jogos. Hoje em dia, um jogador não quer se preocupar com problemas no controle do personagem, gráficos ruins e outras. Ele quer ter a experiência, sem se preocupar com outros detalhes.
Para toda regra existe excessões ou até mesmo talvez esse tipo de jogador seja a excessão. Já que assim como milhões de telespectadores assistem um programa onde pessoas não fazem nada de útil, nos videogames acontece um fato parecido, entre os menos informados. São os chamados jogadores casuais e os viciados em um jogo só.
Os casuais são a maioria e não são de todo ruim, são aqueles que compram o que aparece mais na mídia. Nos EUA por exemplo, onde anualmente são lançados jogos como FiPá 2008, FiPá Street 2009 e vendem milhões, esse público está bem presente (nas decisões do governo, também se nota esse tipo de manipulação). São os chamados caça-níquel, onde não há muita preocupação com qualidade, já que o público também não busca essa qualidade.
E os viciados em um jogo só. São aqueles que parecem ter se fechado para o mundo em apenas um jogo. Não têm a experiência de jogar outras coisas, conhecer novos paradigmas ou mesmo trocar de canal na TV durante os comerciais das Casas Bahia. Desses eu posso citar os jogadores de Counter-Strike, jogadores de MMORPGs e os jogadores de Winning Eleven.
Por favor, não me crucifiquem por questionar este comportamento, já que até hoje ainda jogo Street Fighter 2, mas o que eu quero dizer é que existem muitas coisas interessantes no mundo do videogame. Desde jogos clássicos como os do Atari 2600, passando pelos os PCs até o Playstation 3.
É isso. Espero que a partir de agora pensem um pouco antes de ligar seu videogame ou mesmo na hora que acordar, se realmente você faz o que quer ou apenas segue os comportamentos que foram colocados em sua programação, sem nunca questioná-los.
Fernando R Salvio